Um “oi” do seu eu do futuro

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Brasília, 5 de maio de 2016

Prezado Henrique do dia de inscrição na OAB,

 

Como vai? Feliz por ter superado mais uma fase na sua jornada da advocacia? Lembrando de todas as aulas, trabalhos, cursos, seminários, estágios? Acredita que agora com a sua “vermelhinha” nada pode atrapalhar sua jornada, né? Não sabe ao certo o que está sentindo, correto? Essa mistura entre euforia e pânico tem um gosto estranho, mas confia em mim: você vai experimentar isso outras tantas vezes, sem nunca se acostumar, e que se um dia parar de sentir talvez algo tenha dado errado.

Quero te lembrar do dia que foi aprovado no vestibular e se sentiu completo, pois poderia começar a estudar “o que gosta”, mas como saber o que gosta se você nunca tinha provado? No começo do curso eram tantas aulas de filosofia, sociologia, teorias gerais de uma visão pura do Direito que você se esbaldava em alegria. Mas nem só de teoria vive o homem, e você aprende isso todo dia – confie em mim!

Você descobriu isso quando começaram as matérias práticas – Direito Constitucional, Civil, Penal, Administrativo, e tantos outros – que te acompanharam até o fim do curso. Com isso veio a necessidade de conhecer o mundo, se apresentar para os futuros colegas de profissão. Vieram estágios…

Sim, o mundo é assustador, mas existem pessoas que vão te ajudar nessa jornada. Você criou laços, fez parcerias, mas também viu que algumas pessoas não compactuam daquilo que você pensa/faz; lógico, porque pessoas tem afinidades e diferenças. Você viu como os escritórios e o judiciário funcionam e me falou: não quero advogar dessa forma. Afastou-se do direito e buscou outras vias, mas viu que nunca foi completo.

Precisou conhecer outras realidades para se encontrar e decidir voltar ao seu plano original – reformulado, pois ninguém deveria parar no tempo – “ vou fazer o que gosto”. Buscou os braços da advocacia novamente. Quis fazer da sua forma, ou seja, diferente dos padrões impostos, mas não sabia como porque nunca aprendeu isso na academia  – ainda achamos isso uma grande falha, mas estamos tentando resolver. Se viu criando três metas, sem querer, que viraram um mantra:

Primeira ato: adeus gravatas, ternos e sapatos super engraxados! Bem vindos jeans, camisetas e tênis;

Segundo ato: pompa, floreio e linguagem rebuscadas assustam, vamos ser direitos e claros afinal de contas lidamos com pessoas;

Terceiro ato: seja você, seja honesto com você! Mesmo que isso retire honorários do bolso, mas coloque paz na sua cabeça.

Esse seu mantra, baseado nos atos que protagonizou, precisa ser lembrado todo dia, pois pensar/fazer diferente doí, desgasta, mas ao fim do dia te proporciona um sentimento de dever cumprido e satisfação que você poucas vezes sentiu. Quero te lembrar que você é o timoneiro do barco chamado sua vida, nunca se esqueça disso! Você pode até pedir auxílio ou a direção para algumas pessoas, pois isso é saudável e você não sabe sobre tudo, mas nunca entregue o timão para os outros, pois eles te levarão para onde julgam ser importante e não necessariamente para onde você quer ir.

Quero encontrá-lo em alguns anos e poder te dizer: parabéns pelas suas decisões e continue sendo você. Sabemos que não existem caminhos tranquilos, mas com determinação, coragem, método e paixão podemos superar as dificuldades e chegar no nosso objetivo. Estarei ao seu lado para lembrá-lo de tomar as decisões da forma que julgar correta, mesmo que não seja a tradicional.

 

Um grande abraço, porque “cordialmente” é muuuuito formal.

 

Por: Henrique Uchôa

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