Com que roupa?

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Meu terno já virou estopa

E eu nem sei mais com que roupa

Com que roupa que eu vou

Pro samba que você me convidou?

Com que roupa que eu vou

Pro samba que você me convidou?

                                   (Noel Rosa)

 

 

Se existem dois profissionais que têm uniformes são os médicos e advogados. Um deles conseguimos entender o motivo. O médico usa jaleco branco porque significa limpeza, asseio e higiene. Em um meio de trabalho onde a infecção é um risco real esse é um cuidado tanto para o médico que se distancia de fontes de contaminação, quanto para o paciente, pois qualquer sujeira fica evidente na cor branca. Já o advogado usar o terno – paletó, calça, gravata e sapato – é um grande mistério…

 

A advocacia é uma profissão tradicional, tendo sua primeira faculdade em território tupiniquim inaugurada em 1827 – momento histórico para dar credibilidade ao texto. Somos profissionais que transmitem o cumprimento da lei e essa roupa impõe uma formalidade e tradição. Mas precisamos mesmo disso? Quantos colegas conhecemos que colocam belíssimos ternos para passar o dia ao lado de outros ou ainda sozinho atrás de um computador? Ok, acho uma roupa muita bonita, mas me pergunto se realmente precisamos disso.

 

Vou deixar uma coisa clara antes de continuar: respeito quem gosta de usar terno em todos os momentos, mas existem aqueles que não se sentem confortáveis engravatados e preferem um simples jeans e camisa ou camiseta – dependendo da ocasião. Existe alguma diferença entre o primeiro e o segundo grupo?

 

Claro! A embalagem. Apenas ela, a qual não contribui em nada para a atividade prestada, pois somos profissionais intelectuais. Lidamos com textos, teses e leis. Precisamos de conhecimento e capacidade cognitiva. Até segunda ordem não estamos participando de desfile de moda. Gente vamos lá, estou falando que podemos estar trajados a rigor sem precisar estar de terno, não estou propondo a ninguém ir de bermuda e chinelo no fórum, tá bom?

 

Felizmente estamos vendo uma reformulação em alguns pontos da advocacia, por exemplo, alguns escritórios que se consideram boutique. Além de serem bancas menores, altamente especializadas e que atendem de forma personalizada seus poucos clientes; esse grupo de escritórios visa uma advocacia despida – calma, ninguém está pelado. O que esse grupo preza?

 

Procuram profissionais capacitados, que pensem formas diferentes de solucionar problemas e que compartilhem de uma forma de trabalho em equipe. O que isso acaba refletindo no espaço e nas características da equipe? Escritórios mais modernos, ambientes colaborativos e espaços de descompressão (área para entretenimento e convivência) – exatamente o que vemos no “Better call Saul” ou outras tantas séries por aí – só que não. O protocolo para convivência e vestuário é: bom humor, colaboração, competência, entrega e conforto.

 

Viram!? É possível ser competente, entregar um bom trabalho ao cliente e ainda ser descolado. Alguns clientes vão precisar do advogado engravato, outros, entretanto, podem preferir aquele que chega de tênis, jeans e skate. Cabe a você, somente a você, saber qual advogado você é.

 

Lembre-se sempre que do outro lado existe um ser humano como você: que precisa de atenção, busca um serviço bem prestado, que gostaria de ser bem tratado e que não precisa ver um desfile de moda. Então vamos nos vestir como nos sentimos bem, seja de terno, ou seja de jeans; e vamos nos preocupar com o que importa que é prestar um serviço exemplar e respeitar o cliente e o colega que está do outro lado.

Valeu, falou!

 

Por: Henrique Uchôa

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