Vai lá e faz!¹

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Grande parte dos advogados recém formados faz esse checklist mental antes de começar a atuar profissionalmente: pegar o certificado de conclusão do curso e diploma; levar toda a papelada na OAB para iniciar o processo de inscrição; comprar uma roupa compatível com a atuação de um profissional jurídico; selecionar uma bolsa/pasta que imponha respeito à sua imagem; alugar uma sala comercial e mobiliá-la com belos móveis; buscar a carteira da OAB; sentar no seu escritório e aguardar clientes; mexer um pouco no Facebook; continuar aguardando clientes; fazer uma pós-graduação; aguardar clientes; participar de forma atuante em grupos de advogados; e aguardar clientes….

 

Nos preparamos muito para a nossa atuação profissional, mas chega um momento que precisamos colocar a mão na massa. Quero falar um pouco sobre isso nesse texto. Como deixar o mundo teórico da Faculdade de Direito e fazer a imigração na vida como ela é.

 

Antes de começar o texto propriamente dito deixarei alguns dados para dar credibilidade a tudo que irei escrever abaixo. Um estudo feito pela Munich Dunkelweizen Universität demonstrou que 65% dos alunos recém formados acham que são doutrinadores natos e deveriam estar no STF. Por sua vez a Frozen Moose Toronto Academy trouxe o alarmante dado que 73% dos advogados iniciantes vai fazer algum tipo de besteira ao firmar seu primeiro Contrato de Honorários. Por fim, a Universidade dos Canalhas de Lisboa diz que 89% das pessoas que aprendem com os erros se divertem e produzem mais. ²

 

Introdução – feito. Complemento e ligação com dados – feitos. Parágrafo com dados para dar credibilidade – feito. Mas o que isso tudo tem a ver com textos jurídicos e conteúdo para novos advogados? Tudo!

 

Aprendermos alguma coisa somente na teoria? Aprendemos a escrever apenas lendo a gramática e livros de português? Aprendemos a pedalar lendo “Pedalando em 7 tópicos” ou “Como andar de bicicleta de A-Z” ou “Aprenda a pedalar lendo 5 minutos por dia”? Perguntas retóricas com respostas abaixo.

 

Não… Não quero dizer que a leitura não ajude nesses casos, mas só vai começar a pedalar aquela pessoa que pegar uma bicicleta, subir nela e tentar. Quase tudo na vida é assim. Aprendemos algo e sentimos a necessidade de colocá-lo em pratica, de se mostrar para o mundo, de dar um salto muitas vezes calculado, mas outras nem tanto.

 

Da mesma forma acontece com a advocacia. Aprendemos muito na faculdade, cursos, simpósios, pós-graduações, mestrados e doutorados também – não tenho nada contra estudar e é importante manter-se atualizado. Treinamos muito nos núcleos de prática jurídica, estágios, empresas juniores, jantares de família – sabe, aqueles momentos que todo mundo fala “ele é advogado, pergunta para ele” – ou nas tretas da mesa do bar. Mas chega uma hora que precisamos tirar a rodinha da bicicleta e aprender a andar sozinhos.

 

Os medos, pavores, temores e dores da falta da rodinha da bicicleta na primeira volta são as mesmas do primeiro atendimento solo, mas quando acaba o atendimento e você se despede do cliente sente a mesma sensação daquela pedalada inovadora. Aquela liberdade, o vento no rosto, a sabor de dever cumprido. Vamos cair? Claro, mas é preciso levantar, aprender com o incidente, se possível rir um pouco – alivia a pressão – e seguir pedalando.

 

Precisamos nos ver novamente como crianças descobrindo um novo mundo. Precisamos ter aquela sede de fazer o novo, de desbravar nossos limites. Precisamos tomar um pouco de cuidado, pois temos mais responsabilidades, mas precisamos nos lembrar que nada vem fácil; que se vestir bem, ter conhecimento teórico e uma linda sala não vai trazer os clientes. Precisamos fazer, por isso quis trazer essa pequena frase que tanto diz:

 

VAI LÁ E FAZ!

 

Valeu, falou!

¹              muitas empresas/cursos/palestrantes usam essa expressão “Vai lá e faz!”, mas como fui apresentado via Perestroika Brasília deixo meu abraço para eles.
²              nenhuma das universidades existe, muito menos os dados – só fiz isso para deixar o texto com uma cara mais profissional.

Por: Henrique Uchôa

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